O HRMS (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul) celebrou a formatura de 40 médicos residentes, que concluíram a especialização em 10 programas de residência médica: anestesiologia, cardiologia, cirurgia geral, clínica médica, coloproctologia, ginecologia e obstetrícia, medicina intensiva adulto, nefrologia, neurologia e pediatria.
A cerimônia marcou o encerramento de um ciclo, caracterizado por amadurecimento profissional e humano. Desde que foi criada, em 2003, a Residência Médica no HRMS oferece uma formação baseada na vivência multiprofissional, no contato com diferentes cenários clínicos e na atuação supervisionada por preceptores experientes. Cerca de 500 profissionais especialistas já foram formados pelo hospital.

Entre os formandos está a médica Yasmin Coelho Patrial, de 30 anos, especialista em neurologia. Campo-grandense, ela iniciou a residência grávida e enfrentou o desafio de conciliar a rotina hospitalar com a maternidade.
“Foi muito difícil. Eu entrava no hospital e era aquela correria. Quando chegava em casa, não ia descansar, porque tinha um nenenzinho me esperando. Teve dias em que eu fiquei sem ver meu filho. Via ele na quinta à noite e só voltava a vê-lo no sábado depois do almoço. O coração fica apertado”, relembrou.
Para ela, concluir essa etapa é uma vitória que vai além do aspecto profissional. “Eu não sei de onde tirei tanta força para chegar até aqui. Tenho certeza de que Deus me sustentou durante todo esse período. A residência é uma fase muito difícil, que exige muito da gente, mas passa. E o HRMS se torna a nossa casa. É onde a gente vive medos, frustrações, superações, constrói amizades. Representa tudo isso na minha vida”.
Yasmin afirma que sai da residência com um propósito claro: exercer uma medicina mais humana. “Espero ser uma médica empática, que leve em consideração que cada paciente é o amor de alguém, é pai, é mãe, é filho de alguém. Isso é o que mais importa”.
O sentimento de pertencimento ao hospital também é compartilhado pelo médico Eric Chang, de 33 anos, formando em Clínica Médica. Para ele, a residência é sinônimo de resistência e crescimento.
“É muita luta, muita determinação. A gente enfrenta o cansaço físico, situações difíceis. A residência ensina a dar o nosso melhor sempre, mesmo exausto. Ensina a ficar atento, a evitar erros, a reconhecer quando precisa de ajuda”, destacou.
Eric define o HRMS como extensão da própria vida. “É a minha casa. Eu fico mais tempo no hospital do que na minha própria residência. Vivi muito o HRMS e ainda quero continuar aqui. Pretendo tentar cardiologia e seguir no hospital. Não me vejo em outro lugar”.
Durante a solenidade, a presidente da Coreme (Comissão de Residência Médica), Ana Carulina Belchior, destacou que a residência é, ao mesmo tempo, formação técnica e prova de caráter.
“A residência médica é escola porque ensina a medicina real — aquela que acontece com tempo contado, recursos limitados e incertezas. E é prova porque testa não apenas o conhecimento, mas o caráter: a capacidade de escutar, de reconhecer limites, de pedir ajuda, de manter a ética quando ninguém está olhando e de seguir humano quando a rotina tenta nos endurecer”, afirmou.
Ela ressaltou que os formandos chegam ao fim do ciclo não apenas pelo volume de estudo, mas pelo compromisso diário com a responsabilidade. “Vocês aprenderam o valor do raciocínio clínico, da boa anamnese, do exame físico atento. Mas aprenderam também o que não está nos protocolos: o valor de um gesto simples, de uma explicação clara, de um olhar que transmite segurança”.

A diretora de Ensino, Pesquisa e Qualidade Institucional do HRMS, Roberta Higa, enfatizou o papel coletivo na formação dos novos especialistas. “Essa conquista é fruto do empenho dos residentes, mas também da dedicação incansável dos nossos preceptores e supervisores. São profissionais que ensinam pelo exemplo, que acompanham cada plantão, cada discussão de caso, cada decisão difícil. A todos eles, nosso agradecimento por contribuírem para formar médicos tecnicamente preparados e, sobretudo, comprometidos com a ética e a qualidade do cuidado”, afirmou.
Patrícia Belarmino, Comunicação HRMS
